A INPIRAÇÃO

Tudo começou, quando a família Medrado recebeu em sua residência em Salvador-BA, uma família da Chapada Diamantina – BA, que viera à capital baiana trazer sua filha, uma jovem de 14 anos que apresentava inchaço no rosto. Inicialmente, pensou-se que o motivo de tal deformação na face seria um dente arrancado. Na época, a senhora Vera Ilza Medrado (mãe da Diretora-Presidente do NASPEC), levou a menina a um hospital público de Salvador onde foi internada e submetida a exames. Ao passar dos dias, mais magra e abatida, o quadro médico da jovem se agravava e logo depois, o diagnóstico acusava câncer.

 

Romilza, filha mais velha da senhora Vera e adolescente na época, realizava visitas constantes a garota, junto com a mãe, e começou a se sensibilizar profundamente ao perceber a situação deprimente dos outros pacientes naquele hospital. Sobretudo os que também vinham do interior da Bahia, os quais permaneciam sozinhos e deprimidos em seus leitos, já que seus acompanhantes não tinham onde ficar. De forma amistosa, Romilza foi desenvolvendo um relacionamento com aqueles pacientes e, aos poucos, a timidez deles foi desaparecendo, a confiança se instalava e já conseguiam dialogar sobre suas dores e tristezas. A jovem, motivo de todas aquelas idas ao hospital não sobreviveu, o que chocou profundamente Romilza, inquietando-a e angustiando-a profundamente.

 

DECISÃO DE SER UMA AGENTE SOLIDÁRIA

 

Passaram-se alguns dias sem visitar aqueles pacientes e a necessidade de fazer alguma coisa por aquelas pessoas foi aumentando. Romilza decide, então, continuar as visitas mesmo após a morte de sua hóspede. Como justificativa para as saídas à tarde, o estudo na Biblioteca em frente ao hospital foi a melhor desculpa. Devido à pouca idade e por não estar acompanhada de sua mãe, Romilza teve dificuldades de acesso a enfermaria no início, mas logo conquistou a confiança da equipe de enfermagem pela sua insistência e desejo genuíno de auxiliar de alguma forma aqueles pacientes.

 

A partir da convivência diária, Romilza foi descobrindo detalhes que continuavam a inquieta-la ainda mais. O principal deles foi descobrir que muitos pacientes tinham alta do hospital, mas não do tratamento, e como não tinham onde ficar em Salvador, retornavam para suas casas no interior da Bahia, interrompendo o tratamento. Outros, desesperados e sem opção, se arriscavam dormindo nas calçadas, jardins, portas do supermercado, rodoviária, completamente desassistidos e expostos a todo tipo de intempéries.

 

NASCIMENTO DO NASPEC

 

Diante desta triste realidade, o sentimento de frustração e impotência foram inevitáveis e Romilza decidiu criar ações de ajuda humanitária para aqueles pacientes carentes, sensibilizando e mobilizando inicialmente os amigos a contribuir com sua ideia. Hospedava pacientes em casa de amigos, parentes e garagens. Utilizou um galpão abandonado e até a sede de uma entidade religiosa, que se sensibilizou ao ver que aquele trabalho de Romilza não poderia parar.

Anos depois, com o desejo de sair da informalidade, Romilza se encoraja e aluga uma casa que foi carinhosamente chamada de NASPEQUINHO, localizado no bairro da Boca do Rio, cidade de Salvador, estado da Bahia, oficializando juridicamente a instituição em 1996. Muitas etapas desafiadoras foram enfrentadas e vencidas, graças ao apoio de diversos amigos que abraçaram a causa, transformando-se nessa grande família de apoio humanitário chamada NASPEC.

Em 2002, o NASPEC conseguiu a cessão para uso de uma unidade desativada do estado, localizado no bairro do Engenho Velho de Brotas, desta mesma cidade. Desde então, a entidade vem crescendo e expandindo ações, realizando cerca de mais de 40 mil atendimentos anuais, de acordo com os Relatórios de Atividades da Instituição e diversas ação de conscientização e mobilização social na luta contra o câncer.